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sábado, 29 de agosto de 2009

Á PROCURA DE UM MUNDO ONDE HAJA SUNSHINE

As mãos tentam reter
O ar em sua superfície
Como matéria sólida.


Contudo, apesar da tenacidade do ânimo,
O sangue da atmosfera,
Pelos poros dos dedos, se liberta.


Então volto a ficar cabisbaixo:
Zarpando pelas águas
Da utopia onde se fixa
A universal felicidade retilínea,
Vislumbro a luz do sol pulverizar toda e qualquer mesquinharia.

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

sábado, 1 de agosto de 2009

ADMIRANDO O CREPÚSCULO

O etéreo se mitigando vai
Á medida que a baixa tarde solar
Irremediavelmente se faz cair
Sobre nós.


Gradativamente,
O etéreo do azul
Vai se perdendo,
Vai se desencontrando de si mesmo,
Vai se transmudando
Num levemente esbranquiçado vermelho
Que logo é sucedido por um breve azul-marinho.
Então, ele, em seguida,
Assume a forma de azul-basalto:
Assim, um outro etéreo do firmamento
Aflora. O etéreo do negro mar
Qual, sob o comando da nave lua,
Domina e guia os passos
Do céu meio aceso, meio sonâmbulo, meio silente orvalho
De lume cor candura!


Porém este novo etéreo absconde enigmas:
Não por ser negro. O negro é
Um diamante que emite uma luz magnífica.
No entanto, seu eflúvio
Difere dos outros dias. Mostra-se
Criatura voraz, facínora
Pois traz na saliva o sangue de incautas crianças!
Por trás de um véu obliquo e sombrio,
Repousa sua acossadora forma:
A face de Pandora.






Ah, e a flor da exultação brota
Dos lábios soezes dos eunucos da decência
Quando veem o desespero soçobrar
A alegria de desejar a vida de qualquer maneira.


Ah, ao pensar
Que estes assassinos seriais do amor
Governam esta atmosfera noturna,
Percebo que o etéreo deste negro
Também se tresmalha, se dilui:
Vira nada. E o que resta
É uma celeste bruma medonha.


JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

sexta-feira, 24 de julho de 2009

CRIPTOMUNDO

Há vocábulos que não conseguem migrar
Para a manancial da matéria:
Pululam como eternos escravos da mentosfera.


E quando, por acaso, escapam a tal ventura,
Chegando ao portal das metamorfoses,
Afluem ao sepulcro das indigentes mensagens insones.


Por não saber semantizar perfeitamente
O fluxo e o refluxo da crua realidade
Que ulceriza, alucina e tortura
A animosa, padecida prole da cavalgadura,
Guardo as poderosas palavras nas casamatas da teimosa utopia soturna.
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

A MESMA MÚSICA

Sou galáxias além da Via Láctea
Sou estrelas mais colossais e maiores que o sol
Sou um bólide-asteróide que transpassa Júpiter,
Soçobrando a vida pulsante qual habita o Planeta Azul.


Sou o vácuo que aumenta gritantemente
Pois as chagas e a opressão
Grassam e grelam
Sem precedentes, sem medida, sem padrão.


Sou um espectador inócuo, impotente,
Que olha, lugubremente,
A ganância edificar necrópoles
Para aqueles nascidos do sol da esperança.


Sou crepúsculos e auroras
Sou surpresas e alamedas erráticas
Sou brumas e luzernas
Sou um canto anônimo e estéril
Sonhando, incessantemente,
Com o dia que a luz da compreensão
Penetre-nos a retina da mente
E nos soçobre definitivamente
A fome pela magna quadra destrutiva:
A cobiça, o poder, a tirania, a supremacia!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

segunda-feira, 20 de julho de 2009

POEMICÍDIO

Comer o papel escrito denotativamente
É processá-lo usando a máquina do metabolismo
E o expelir do organismo,
Através do reto,
Para que aflua ao caminho dos demais dejetos.
Ah, com o perpasso do tempo,
Á mãe NATUREZA regressa
Como o fecundo adubo qual alimenta a terra.


Degustar as letras,
Metonimicamente,
É disparar a tinta:
Bala da ferina lufada de fricção
Ao verso dirigida.


Pranto do meu pranto
É quando o gosto do meu fel
planta e derrama
lágrimas da minha errância, culpa que sangra o réu!


Afinal,
Assassino o meu filho;
Assassino o fragmento mais querido da minha ilha;
Assassino minha lavra:
Dando cabo do meu poema
Pois, assim, aplaco a raiva.

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

sexta-feira, 17 de julho de 2009

O VERBO DA MALDADE

Pessoas que terraplenam a chama da vida
Não podem ser vistas como a mais horrenda alcateia;
São, ao contrário, guardiões da longeva luzerna.


Sandálias e Alpercatas
Quais, inexoravelmente, incineravam
--- com o seu vulcânico solado ---
As Cataratas que escudassem
A Flora da Liberdade


Não deveriam desfilar pelas passarelas da sabedoria e da bondade
Como paladinas da orgânica magia:
Isto por serem, na verdade, fanáticas discípulas
Da cavalaria do tirânico sofisma:
Templo da sádica, vil e infame vaidade, sujidade, vilania!


Ah,
Quando as Sandálias e Alpercatas
Evocam o desejo
De manhãs infinitas
Para a orgânica magia,
Estão, de fato,
Relembrando, com saudade,
Do tempo em que prosperava
O eco do império
Do Verbo da Maldade.


JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

KINGDOM OF BLUE STARS

Lá, pairando a fulgurar além da terra,
Além da Via Láctea,
Estão estrelas com uma envergadura
Que transcende abissalmente a magnitude do sol.


Lá,
O Astro Gerador da Vida Terrestre
Não chegaria sequer a coadjuvante ou a tangível figurante:
Seria um opaco treseunte sujeito a um ocaso
Inexorável e célere.


Lá, nós nem sequer cogitaríamos
Abraçar e nos apoderar da fonte da destruição,
Porque antes de existirmos,
A energia heliocêntrica já teria sido esmagada
Pela onipotência da azulina constelação.


Lá, não existiria
Poder, poetas, fauna, flora, oceanos, florestas;
Amores, rancores, jogos, atores, amantes, cônjuges
Nem corrupção!


Lá,
Somente estas estrelas
A reinarem soberanamente
Azuis.


JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA