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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A NAU DO BARDO ESTÉRIL

Forcejo e reforcejo
Com recalcitrante veemência
O parto de um mero poema:

A minha verve, ao contrário,
Quer se manter inerte,
Em coma, inacessível á pena
Deste poeta-náufrago!

Penso em solfejar
Hinos que esquartejem
A opressão, a amorosa decepção e o flagelo:
Mas, pelo oceano da mente, me navega a nau do deserto.

O pensamento meu --- afinal de contas ---
Hoje não deseja degustar o sol da poesia:
Anseia, a bem da verdade, ser o mor cemitério das ventanias!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

2 comentários:

Adriano César Curado disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Adriano César Curado disse...

Caro poeta, adorei seu poema, ele cala fundo na alma e extrai dali o inimaginável. Ele fala de coisas abstratas que se tornam concretas com o toque sutil da imaginação. Meus parabéns.